
Perguntas Diversas
Perguntas diversas
Canal na Calçada
Nunca se abriu. Não chegou a ser canal. Fez-se o forte que seria a defesa da entrada desse canal, esse forte agora está sendo recuperado, a Petrobrás meteu laje de concreto, fez um bocado de coisas lá dentro; agora é que ele está sendo recuperado, bem ali, junto do prédio onde estava situada antigamente a Petrobrás, que hoje é um colégio. Mas o canal nunca foi aberto. O que havia era uma coisa que aqui, só quem anda a beira mar entende, era um apicum.
Você sabe o que é um apicum? Ninguém sabe o que é apicum aqui, não?
Um alagadiço. Um alagadiço de água salgada é um apicum.
Havia um apicum; então, quando se fizeram as casas dos romeiros lá, do Bomfim, que começou a dar romarias pro Bomfim. O conde dos Arcos, o mesmo conde dos Arcos mandou jogar blocos e blocos de pedra ali, antes do apicum, por isso que se chama Calçada, calçada de pedras.
Mas o canal nunca foi aberto. Há o projeto, eu conheço, Mário Mendonça tem cópia da planta, mas nunca se fez o canal.
Onde ficam os túneis subterrâneos?
Não creio que haja nenhum subterrâneo por aí.
Eu conheci um homem da maior probidade profissional, engenheiro, credor do meu mais alto respeito, competente, sabia das coisas, todos os elogios são para ele. Esse homem fez uma casa ali, nos Barris; foi engenheiro e construiu a casa. Quando a casa estava praticamente pronta, um belo dia a casa fez o seguinte: desceu pelo terreno adentro. Argumentou-se que a casa tinha sido construída sobre um subterrâneo.
Não há subterrâneos, o que há, sim, é um esgotamento pluvial da maior categoria. Quem quiser ver isso, vá, por favor, no museu de Arte Sacra, lá, no Sodré e veja atrás o esgotamento pluvial do Largo Dois de Julho, do Sodré, do Areal de Baixo, do Areal de Cima, do São Pedro, toda aquela área flui por ali. Então, o aqueduto, o conduto da água tem um metro e meio, um metro e sessenta, mais ou menos, de altura e as pessoas chamam de subterrâneo. Agora os subterrâneos com dois aportes de ouro, se tivesse dois aportes de ouro, eu já tinha ido buscar.
Uso do óleo da Baleia
Não há notícia disso. Olha, subterrâneos na Bahia, pelourinho do escravo, óleo de baleia para fazer forte. Isso aqui está cheio de engenheiros e de arquitetos. Alguém conhece algum trabalho que diga que matéria graxa é aglutinante de argamassa? Alguém é capaz de me dizer isso?
Misturar manteiga ou óleo de baleia, tanto faz, gordura é gordura.
Botar gordura dentro da argamassa é bom para dar uma pega melhor?
Por que é que meteram na cabeça que óleo de baleia é bom para fazer edifício não cair, é bom para fazer fortes?
Por uma razão muito simples, que eles foram feitos com óleo de baleia, só que não o óleo de baleia, foram feitos com a tributação com o dinheiro resultante do negócio, da taxação; não tem nada a ver com óleo de baleia propriamente dito.
Mas, vocês conhecem ainda pessoas que juram de pé junto: “Não, isso aí não vai cair nunca, foi feito com óleo de baleia”.
E estou desafiando aí, os senhores arquitetos e engenheiros. Existe algum trabalho técnico, alguma coisa que demonstre que matéria de graxa, óleo é bom para fortalecer a argamassa? Alguém pode me dar essa notícia?
Agora, o que não falta é imaginação. Que as freiras tinham os meninos lá embaixo, nos subterrâneos. Você já não ouviu falar nisso também?
Mercado do Ouro
O Mercado do Ouro foi construído por Francisco Amado da Silva Bahia para ser mercado de coisa. Construído no século XX.
Locais dos Cemitérios?
Bom, sobre cumeadas por razões higiênicas, são áreas mais ventiladas. O mais antigo dos dois é o cemitério do Campo Santo, o cemitério das Quintas foi emergencial, ele foi aberto em 1855, durante a epidemia do cólera-morbo; o cemitério do Campo Santo já vinha de antes, particular como continua sendo até hoje, da Santa Casa da Misericórdia. O cemitério das Quintas é propriedade do estado, do poder público.
Como funcionava a administração da Cidade na época de Tomé de Souza?
O governador tinha uma autoridade perante a cidade, tal qual a que ele tinha sobre qualquer outra cidade, o governo geral é que estava sediado aqui, mas a administração pública municipal, a gerência da cidade era atribuição da casa de câmara e cadeia, aliás, atribuição dos vereadores. A casa de câmara e cadeia foi um nome muito bem lembrado por ele porque é preciso não esquecer que era regimental, ou melhor, era ordenamento. O indivíduo só podia ser preso, podia ser privado da sua liberdade no mesmo prédio, sob o mesmo telhado, não basta ser perto nem junto, não; tem que ser no mesmo local onde se reunissem os vereadores. Porque não esqueçam o seguinte: era uma delegação de confiança muito grande que se dava a um governador geral, oito meses, dez meses, um ano de relação entre a metrópole e a colônia, os governadores, nem sempre eram os mais, digamos, os mais pacíficos ou os mais razoáveis, muito governador cometeu desatino, cometeu estripulia, cometeu excessos; enquanto que os vereadores, não, esses eram eleitos pela gente da terra; então, eram o contrabalanço de autoridade muito bem jogado pela metrópole portuguesa no sentido de deixar a administração municipal, as coisas da cidade entregues à casa de câmara e cadeia, à casa de câmara e a administração geral do Brasil entregue aos governadores; tanto que não é raro você encontrar um governador passar dois meses, três meses, quatro meses viajando, vai a São Paulo, vai a Espírito Santo, vai ao Maranhão administrando o Brasil, essa era a atribuição do governador. A administração da cidade era dos vereadores, mais tarde transformados em intendentes.
Onde ficava o Palácio do Governo na época de Tomé de Souza?
Onde é hoje o Palácio Rio Branco.
O que ainda existe do tempo de Tomé de Souza?
Tomé de Souza não viu nenhum dos fortes que está aí, esses fortes, com essa feição, com essa parede, os fortes em si, como objetos de arquitetura, são todos do finalzinho do século XVII e começo do século XVIII. Tomé de Souza administrou uma cidade de taipa e sapé. Então, não há problema de saber qual é o mais antigo ou mais novo porque todos eles são muito posteriores aos três primeiros governadores. Havia um forte, sim senhor, ou melhor, havia uma peça de artilharia lá, onde está o forte da Barra, mas aquele forte, aquela pedra, aquela parede, aquele imóvel não tem nada com Tomé de Souza, nada a ver. Do tempo de Tomé de Souza aqui, na Bahia, você só tem a igreja de Nossa Senhora da Escada, lá, no subúrbio ferroviário; a igreja do Montserrat, a igreja de Nossa Senhora das Neves, na ilha de Maré. Só.
Não tem mais prédios do tempo de Tomé de Souza?
Nossa Senhora da Escada, linda igreja que está lá, jogada fora, o subúrbio ferroviário, depois de Itacaranha; a igreja de Montserrat é uma beleza de igreja, os mais antigos edifícios da cidade; algumas paredes internas do mosteiro de São Bento, que sobra pouco.
Houve algum planejamento do crescimento de Salvador?
Uma cidade é um organismo vivo. Eu não estou dizendo bobagens, não. Estou? Nasce, cresce, vive, morre, se modifica, se altera, acontecem coisas, tudo pode ocorrer. Essa cidade tinha um perfil no século XVI, tinha um perfil no século XVII e as faixas vão ficando cada vez mais estreitas, as faixas vão ficando cada vez menores.
Deixa-me dar um exemplo pessoal aqui. Eu moro numa casa que quando eu fui morar onde eu moro, meu irmão que é engenheiro me disse: “Olha, se você me dissesse que estava precisando de areia, eu lhe mandava uma caçamba de graça para não precisar comprar um areal inteiro”.
Quando eu fui morar, o Colégio Militar estava em construção e eu morava para diante do Colégio Militar, onde moro até hoje. A minha casa hoje está inteiramente envolvida por edifícios e construções de onze andares. Hoje, estou, eu lá, espremido.
Então, eu uso isso como exemplo porque a cidade, eu não sei o que é que vai acontecer com ela, que tipo de mudança você pode imaginar. Um código de obras mais ou menos rigoroso pode disciplinar alguma coisa, uma demanda habitacional pode. Um episodio como em 1855, a epidemia do cólera-morbo; morava-se num bairro de Lisboa transplantada, era elegante morar no centro, no Pelourinho, no Maciel de Baixo, no Maciel de Cima; não há uma área verde, os quartos são internos, sem janelas; era isso em que se morava. Num belo momento descobriu-se que os ares faziam bem, mudar de ares. Então, bairros desprezados como Vitória, Graça, Barra passaram a ser os bairros de moradias das pessoas mais qualificadas da cidade. O centro da cidade, que era a residência mais qualificada entrou em decadência, chegou à ruína. Agora, depois que foi restaurado, é o único bairro chapa-branca que eu conheço no mundo, não sei de outro.
Chapa-branca porque o governo injeta dinheiro. No dia em que acabar o subsídio oficial do Pelourinho, na se fala mais em Pelô, volta a ser o Pelourinho de sempre.
Quais foram os primeiros colonos que povoaram o bairro da Liberdade?
Não houve colono específico para colonizar a área da Liberdade. Ela não é outra coisa, senão um prolongamento. Por um lado, do Largo da Lapinha, por outro da área de São Cristovão, próximo a São Caetano.
História e o que hoje representa a Mouraria, Rua da Mangueira, Largo da Palma (incluindo o convento da Palma).
A partir dos séculos XVII, Alto das Palmas.
Os Agostinianos estabeleceram um hospício (casa de hospedagem religiosa) que se tornou notório quando das invasões holandesas, em face da sua posição, diante do Centro da Cidade. Bem mais tarde o hospício da Palma teve outras finalidades além das religiosas originais.
Foi, durante muito tempo, o Fórum da Cidade e o Liceu Provincial. No primeiro caso, distinguiu-se por alguns debates que ficaram famosos, entre eles, o do júri de João Estandislau da Silva Lisboa que matou Júlia Fetal.
Como Liceu Provincial assistiu a implantação do ensino secundário oficial que veio substituir o sistema de Aulas Régias.
Funcionou até quando foi construído o prédio em que, ainda hoje, funciona o antigo Colégio da Bahia, hoje Colégio Central.
Rua da Mangueira - É toda ela subsidiária da Mouraria, tendo sido, durante o século XIX, a base de serviço do IX Batalhão de Infantaria, até a esquina com a Rua do Bângala.
História da Igreja da Lapa
É um apêndice de N.S.da Conceição da Lapa. Foi construído por um homem, cujo sobrenome era Miranda, que recolheu as quatro filhas solteiras (porque não queria que elas casassem) ali dentro, do qual foi abadessa a Madre Joana Angélica.
A cidade de Salvador já foi chamada de São Salvador?
A cidade de Salvador nunca foi chamada de São Salvador.
Desde 1549 já foi designada a chamar-se Salvador.
Cruz do Pascoal - Rua Direita além do Carmo. Gostaria de saber aonde posso encontrar registros que contem a história da Cruz?
Cruz do Pascoal é pagamento de uma promessa feita a N.S.do Pilar por Pascoal Bastos que mandou erigir em homenagem a N.S.do Pilar. Aquele pilar de azulejos que lá se encontra no alto do pilar, tem uma cruz de ferro que deu nome ao monumento.
Sobre ela há um artigo de João da Silva Campos, publicado em Tradições baianas - Revista do IGHB (Instituto Geográfico e Histórico da Bahia), número 56.
Existe alguma biografia de Manoel Devoto?
Manoel Carlos Devoto foi diretor do Ginásio da Bahia, hoje Colégio Central. Você encontrará detalhes no livro: Ensino Secundário Oficial na Bahia, pelos autores: Gelásio de Abreu Farias e Francisco da Conceição Menezes
Edição por José Spinola
Bairros de Salvador
Entrevista ao Terra Magazine em 9/02/2010 - Parte 1
Entrevista ao Terra Magazine em 9/02/2010 - Parte 2
O 2 de julho
Os Holandeses na Bahia
Ruas de Salvador
Solares da Bahia
|